RESENHA “O PRÍNCIPE”

Autora: Nayara Dornelas de Sousa

Maquiavel inicia seu livro com uma dedicatória ao Magnífico Lourenço de Médicis.
Sua obra “O Príncipe” retrata um modelo amoral de praticar o poder.
Maquiavel começa definindo que todos os Estados e todos os governos que exerceram ou exercem certo poder sobre os homens foram ou são repúblicas ou principados. Caracteriza os tipos de principados destacando como conquistar e manter o poder nestes.
Um principado hereditário por ser de origem tradicional o príncipe tem maior conservação do seu poder.
No principado misto diz ser de todo novo ou que tem sua origem a partir de Estados conquistados que são anexados a um Estado antigo. Esses possuem sua problemática no que se refere à conquista e preservação. Aqui para manter-se no poder o governante deve morar nas terras conquistadas, providenciar assentamento de colonos, ser defensor de vizinhos menos poderosos, conhecer seu terreno para sanar males interiores, cuidar das desordens e ainda precaver futuras, para remediá-las. O tempo deve ser aproveitado ao máximo, pois “uma guerra não evita-se mas protela-se”.
Sobre a guerra diz que é importante para o desenvolvimento do patriotismo e nacionalismo que vem unir os cidadãos do Estado de forma a torná-lo forte.
No principado Civil um cidadão comum torna-se príncipe a partir de favores do povo ou dos nobres, de maneira que deverá haver a conquista de uma dessas classes.
No principado eclesiástico a maneira com que age ou comporta-se um príncipe pouco importa, aqui a grande força vem da religião.
De acordo com a forma de conquista os principados se dividem em: Os que foram conquistados com as próprias armas e qualidades pessoais (Moisés), aqueles conquistados com armas e virtudes de outro, por herança (César Borgia) e ainda conquistas feitas com pura maldade (Agátocles).
Maquiavel destaca a virtude e a fortuna como forças opostas, nas quais se concentram o essencial da vida e da ação política. Fortuna são os acontecimentos que não estão sobre o controle do homem, o curso natural das coisas, o destino. A virtude é a qualidade do homem (e que um príncipe deve ter) de compreender a “fortuna” e guiar-se através dela para alcançar seu objetivo (que é o poder e a sua manutenção). É a qualidade de saber agir da melhor forma de acordo com os acontecimentos, aproveitar as oportunidades em busca da realização de seu fim.
E então no desenrolar da obra o autor em vários momentos oferece meios para fortificação e preservação de um Governo baseado no exposto acima.
Ele cita vários momentos históricos e em um desses destacamos Alexandre “O Grande” quando oferece ajuda ao Papa para que ocupasse a Romanha, não percebendo assim que tornara a Igreja fortificada. Com este exemplo histórico, afirma que, o governante tem que tomar cuidado, pois aquele que promove o poder de um outro, perde o seu, pois todos seus esforços serão agora suspeitos aos olhos do novo poderoso, podendo também ceder espaço para um rival.
A partir da força adquirida pela Igreja no acontecimento citado acima, Maquiavel sugere aos príncipes que se passe por homens religiosos sempre que necessário, pois as pessoas julgam mais pela visão que pelo tato, uma vez que todos podem facilmente ver; somente uns poucos podem sentir. A imagem do príncipe tem que ser para todos que o vêem e ouvem íntegra, humanitária, misericordiosa, sincera. Portanto deve tomar cuidado com o que sai de sua boca.
Diz aos príncipes que o povo deve sempre estar ao seu lado e que percebam em qualquer situação que o Estado lhes será indispensável, com isso serão sempre fiéis.
Neste sentido, o comando do Estado deve ser feito pessoalmente pelo governante que assim, possui a facilidade de tornar sólidas as suas bases, com boas leis e bons exércitos, de modo que sua ruína seja evitável. Mesmo que seu principado disponha de uma fortaleza, esta não poderá salvar-te se não tiver o apoio do povo.
Mais seguro é não se fazer odiado pela população. Construindo assim uma política baseada na arte de saber escolher dos males o menor.
As boas ações e também as más são necessárias devido ao surgimento de conspirações, estas poderão vir de todos os lados ou do povo ou dos nobres. E estas ações sejam negativas ou positivas devem partir sempre do pressuposto de agradar sempre seus súditos.
Existem também ameaças dos estrangeiros e para se defender destas dependerá de boas armas e bons aliados.
Mostrando-se sempre um verdadeiro aliado ou um verdadeiro inimigo, assumindo partidos e tomando parte nos conflitos ganhará sempre, construindo alianças com aquele que contou com sua adesão e conseguiu a vitória ou conseguindo amparo daquele que foi derrotado. Ainda aqui, é claro o dever de um governante cautelosamente não unir-se a um mais poderoso que ele, pois em caso de vitória tornar-se-á prisioneiro e este estado de dependência deve ser evitado.
Para se conquistar o poder deve levar em conta todos os meios. Se necessário a prática de violências estas deverão ser de modo único para não ter que repeti-las a cada dia, pois o mal faz-se instantaneamente para que sua dor torne-se fulgaz. Enquanto o bem se deve conceder aos poucos para melhor ser apreciado.
Mais vale ser violento que prudente. É mais fácil manter o domínio da fortuna assim, do que agindo com sensibilidade. Neste aspecto a fortuna é mais amiga dos jovens, pois estes são mais criteriosos, audazes ao comandá-la.
Por conseguinte o príncipe deve valer-se de sua peculiaridade de homem e animal. Tomando como modelo a raposa e o leão. Como raposa o homem adquire astúcia para conhecer as armadilhas e como leão espanta os inimigos.
Para o príncipe ainda resta saber escolher os seus ministros. Os melhores serão aqueles que pensam, sobretudo no príncipe, sem procurar vantagens para si em todos os aspectos. Existem também os aduladores e para se defender destes é preciso conscientizá-los em sempre dizer a verdade a respeito do que lhes foi perguntado e que isso não é uma ofensa ao príncipe.
No final Maquiavel a partir de tudo que foi discutido em seu livro deduz porque os príncipes da Itália perderam seus Estados. Faz uma exortação à tomada da Itália e à sua libertação dos bárbaros.
“O príncipe” traduz claramente nossa política de hoje. Em vários momentos podemos nos deparar com fatos, fenômenos e até mesmo pessoas envolvidas no meio político com as mesmas características abordadas pelo autor.
Por exemplo, quando o autor diz que o príncipe deve atentar-se para a defesa dos mais fracos, podemos ver o que acontece hoje com políticos que utilizam deste artifício em suas campanhas. Sempre aparecem abraçando pessoas pobres, deficientes físicos, crianças, etc. Querem nos passar justamente essa imagem de proteção e segurança.
E quando se refere à religiosidade também deparamos com o oportunismo dos políticos nas Igrejas com intenção de conseguir prestígio eleitoral.
Não é de se estranhar que esse livro seja criticado e ao mesmo tempo seguido à risca por quase a totalidade dos políticos, sendo considerado livro de cabeceira para muitos.

Autora: Nayara Dornelas de Sousa

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